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A história do Esporte Clube Novo Hamburgo é uma das mais belas páginas do futebol gaúcho e brasileiro, sempre escrita por pioneiros e abnegados. A época de fundação do Esporte Clube Novo Hamburgo retrata tanto o apogeu da colonização alemã na Região Metropolitana do Rio Grande do Sul como representa a própria história dos municípios de São Leopoldo e Novo Hamburgo, tendo sido fundado por membros de etnia alemã e nascido em território leopoldonse 26 anos antes da emancipação da cidade de Novo Hamburgo.

Esta trajetória inicia no dia 1º de maio de 1911, quando um grupo de funcionários da extinta fábrica de calçados Adams fundou a agremiação. Sempre no Dia do Trabalhador havia um churrasco de confraternização entre funcionários e diretoria no qual, ao final, o futebol encerrava as comemorações. Naquela época, o esporte começava a se preparar para virar preferência nacional e dezenas de clubes se formaram em todo o Brasil.

Na mesma noite daquele ano, o grupo, tendo à frente Manoel Lopes Mattos, José Scherer, Aloys Auschild, Manoel Outeiro, João Tamujo e Adão Steigleder decidiu-se pela criação do Anilado, como também é conhecido o E.C.N.H. em virtude de suas cores - o azul anil e o branco.

A primeira diretoria do clube ficou assim estabelecida:

Presidente: Manoel Lopes Mattos
Vice-presidente e Orador: Manoel Outeiro
Primeiro secretário: Pedro Luiz Silva
Segundo secretário: Alfredo Diefenbach
Primeiro tesoureiro: Alberto Adams
Segundo tesoureiro: Ernesto Von der Heyde
Primeiro fiscal: Felipe Heberle
Segundo fiscal: Alfredo Friedrich
Capitão: Luiz Schaefer
Guarda-esporte: Adão Steigleder

Por muito pouco o clube não se chamou Adams Futebol Clube, mas a corrente vencedora sempre buscou levar o nome da cidade em sua camiseta. Era fundado, então, o Sport Club Novo Hamburgo, que depois viria a ser Esporte Clube Novo Hamburgo, o Noia - apelido carinhoso dado ao clube como desinência da pronúncia alemã Neue Hamburg. O primeiro jogo da história do Novo Hamburgo foi contra a equipe do Nacional, de São Leopoldo. Na ocasião, o Anilado acabou derrotado por 3 a 0.

Sua primeira sede ficava na Avenida Pedro Adams Filho, no bairro Pátria Nova, onde hoje se encontra uma madeireira. Este período foi muito curto, segundo os conselheiros mais antigos. Logo depois o alvianil se mudou para o Estádio dos Taquarais, no Centro da cidade, na Rua Major Bender, permanecendo lá até 1953. Lá, em amistosos ou em jogos oficiais, eram as rivalidades que falavam mais alto, suplantando a técnica ou qualquer esquema de jogo, sobretudo quando o confronto era com o Football-Club Esperança, quando a rivalidade era, não raro, extra-campo.

O Esporte Clube Novo Hamburgo conquistou importantes títulos em seus mais de 105 anos de história, bem como realizou apresentações inesquecíveis ao longo de sua trajetória. Um de seus primeiros grandes destaques foi no ano de 1937, quando venceu o Campeonato Metropolitano, derrotando, entre outros adversários, o Nacional, Renner, São José, Cruzeiro, Força e Luz, entre outras equipes - a dupla Gre-Nal não disputou esta competição.

A guerra força a mudança

A década de 1940 foi uma época de conquistas para o Sport Club Novo Hamburgo, tanto que em 1942 foi vice-campeão do estado do Rio Grande do Sul. O time era dirigido por Alfredo Poisl e presidido por Pércio Haas. Contudo, a pressão exercida pelo Estado Novo naquele período de intensa repressão a representações que remetessem às nações do eixo fez-se sentir. O período era da Segunda Guerra Mundial. Os conflitos com a Alemanha respingaram em todo planeta. Por sua colonização alemã, a cidade de Novo Hamburgo passou a ser vigiada e diversas situações afetaram a vida da comunidade.

Durante o conflito, quem falava alemão não era bem visto pelas autoridades, que impuseram a mudança do nome dos clubes e escolas, além da proibição do uso e do ensino da língua alemã em todas as atividades públicas e, mesmo, privadas. Essa onda de mudança e de aportuguesamento dos nomes chegou mesmo a ameaçar a denominação da cidade, que quase mudou de nome para Marechal Floriano Peixoto, em uma homenagem forçada ao famoso Marechal de Ferro - o segundo Presidente da República do Brasil e lembrado por ser um militar de linha dura. O time de futebol, porém, não resistiu à pressão política, em 1944 houve a transformação de Sport Club Novo Hamburgo (S.C.N.H.) para Esporte Clube Floriano (E.C.F.).

Essa pressão pela mudança de nome pode ser compreendida como uma das manifestações da influência das ideias fascistas no Brasil, especialmente no que se refere à sua perspectiva de uniformização da cultura nacional. Vale lembrar que este não foi um fato isolado na história do futebol brasileiro. Também os italianos, em São Paulo, foram perseguidos. Coube ao Palestra Itália seguir o mesmo caminho do Novo Hamburgo. Se aqui mudamos para Floriano, os descendentes de italianos precisaram mudar o seu Palestra para Palmeiras.

A denominação Esporte Clube Floriano foi mantida até 1968, quando o Conselho Deliberativo decidiu que era preciso voltar às raízes. Assim, decidiu-se aportuguesar o antigo nome para o atual Esporte Clube Novo Hamburgo (E.C.N.H).

As principais façanhas das décadas de 1940 e 1950

Em 1947, o Noia conseguiu chegar mais uma vez até a final do Campeonato Gaúcho. Enfrentou uma das maiores equipes já formadas pelo Internacional, de Porto Alegre, o famoso “Rolo Compressor”. O time da capital não tomava conhecimento dos adversários na década de 1940, mas precisou de uma ajuda do árbitro para dobrar o anilado, recordam dirigentes que viveram a decisão. O Vice-campeonato Gaúcho coroou uma campanha memorável, com lances pitorescos, como na decisão, quando, aos 43 minutos do segundo tempo, o árbitro Miguel Sallabery assinalou um pênalti que somente ele viu, em Novo Hamburgo. A partida foi disputada no campo do Adams, mas a penalidade não pôde ser batida porque a torcida não permitiu a cobrança, que aconteceu na outra semana, numa sexta-feira. Convertido, a primeira partida da decisão terminou com vitória colorada: 0 x 1. Na Capital, no entanto, o Novo Hamburgo não se intimidou e venceu no tempo normal: 1 x 2. Veio a prorrogação e, numa cobrança de falta de Carlitos, o Inter ficou com o título. A história poderia ter sido diferente se no primeiro jogo não ocorresse a derrota considerada injusta, em uma penalidade inexistente.

Daqueles anos dourados, restou a lembrança de times recheados de craques, muitos pretendidos pela dupla Gre-Nal e equipes do centro do país. O melhor time deste período - para muitos o melhor time da história - foi montado em 1952 e realizou inesquecíveis apresentações. Após a decisão do título, em um quadrangular histórico, formado por Grêmio, Inter, Pelotas e o Anilado, o Noia acabou na primeira colocação, um feito fantástico relembrado até hoje pelos saudosistas. O time base de 1952 contava com Paulinho; Zulfe, Mirão, Heitor e Crespo; Casquinha, Pitia e Soligo; Niquinho, Martins e Raul Klein. O técnico era Carlos Froner.

Em casa ou atuando como visitante, não era tarefa fácil dobrar a equipe formada por craques reconhecidos por seus adversários. Entre eles, destacava-se Raul Klein, ponteiro-esquerdo habilidoso que fez história pelo país afora depois de vestir a camisa anilada e encantar torcidas de todo o país. Raul chegou à Seleção Brasileira, tendo disputado, juntamente com o goleiro Paulinho, o Panamericano de 1956. O Brasil foi campeão com uma equipe formada, em sua base, por atletas gaúchos, entre eles, nossos craques. Raul disputou várias partidas. Já Paulinho não teve a mesma sorte: foi reserva durante toda a competição. Outros jogadores que por aqui estiveram também vestiram a camisa canarinho, como Josimar, lateral direito polêmico por sua vida desregrada, titular durante a Copa de 1986, no México, com o técnico Telê Santana.

Os Títulos do Interior nas décadas de 1970 e 1980

No cenário estadual, o Novo Hamburgo realizou outras façanhas, como na década de 1970, quando conquistou o Título do Interior de 1972, sendo treinado por Benno Becker. A equipe, formada por Carlos; Di, Coti, Ademir e Jorge Tabajara; Lindomar e Xameguinha; Dirceu, Helenilton, Bira e Jaime Feltes, superou Juventude, Caxias, Pelotas, Aimoré, entre outros clubes. Em 1980, desta vez treinado por Júlio Arão, o Noia voltaria a brilhar, repetindo o título de Campeão do Interior. Daniel; Manoel, Ronaldo, Paulo Vieira e Joaquim; Lourival, Ederson e Dagoberto; Itamar, Paraná e Passos formavam o time-base daquela campanha vitoriosa.

O ano de 1981 também foi especial e marcou outro grande feito do Anilado no cenário gaúcho, com outro Título do Interior. Cabe destacar que, naquela temporada, o Noia liderou o campeonato durante boa parte do certame, superando a dupla Gre-Nal e os rivais do interior por várias rodadas. No final, quando o título parecia um sonho palpável, o Novo Hamburgo foi superado pela capital, não sem deixar sua marca (o título ficou com o Internacional, em um campeonato empolgante). Vacaria comandava o Anilado, que tinha Marquinhos; Celso Augusto, Bob, Solis e Luiz; Palmito, Robson e Zé Luiz; Zé Melo, Romário e Anchieta.

As dificuldades na década e 1990 e o retorno à elite do gauchão

No ano de 1989, depois de ir para o descenso, o Noia sagrou-se campeão da Segundona Gaúcha. A equipe era formada por Marcelo; Sandro Silva, Eduardo e PC Magalhães; Alceo, André Bagé, Sandro Oliveira, Caio Júnior e Nandiú; Preto e Júlio César. O mesmo título foi conquistado anos depois, após o Noia ter amargado quase uma década na já denominada Série B do Campeonato Gaúcho, ou Divisão de Acesso. Assim, foi em 2000 que, sob o comando do já conhecido técnico Vacaria, o Novo Hamburgo sagrou-se Campeão da Divisão de Acesso e voltou à elite do futebol gaúcho. Entretanto, não seria desta vez que o feito seria perene. Com o descenso no ano seguinte, o clube voltou a disputar o acesso para permanecer entre os grandes.

Sem se acomodar, a direção, sob liderança do Presidente Rosalvo Johann, trabalhou para corrigir os erros, organizou-se e teve como resultado de sua árdua obstinação o título de Vice-campeão da Divisão de Acesso de 2003 e a volta ao convívio das grandes equipes do futebol gaúcho. Fato que consolidou-se com uma bela participação no Campeonato Gaúcho de 2004, onde sempre figurou na ponta de cima da tabela. Desde então, o Esporte Clube Novo Hamburgo é novamente uma das mais importantes forças do Rio Grande do Sul, que cresce a cada temporada. Prova disso são suas participações consecutivas na Série C do Campeonato Brasileiro e a sua participação na Copa do Brasil de 2006, obtida através da fantástica conquista da Copa Emídio Perondi 2005, considerada a segunda parte do Gauchão de 2005. Com a base do time formado pelos atletas Luciano; Rosalvo (Marcelo), Dias e Sandro Blum (Neuri); Rafael, Pedro Ayub, Márcio, Preto e Alex; Luiz Gustavo e Valdinei (Flaviano), sob o comando do técnico Gilmar Iser, o Noia superou grandes equipes do interior gaúcho nesta competição e voltou a aumentar sua sala de troféus, com o título. Conquista que não foi a única no ano, pois, ainda em 2005 o Novo Hamburgo sagrou-se Campeão da Copa FGF, competição disputada inclusive pela dupla Gre-Nal.

Participações em competições Nacionais

No cenário nacional, o Esporte Clube Novo Hamburgo disputou sete campeonatos brasileiros, entre os anos de 1979 a 1985, tendo recebido grandes equipes no Estádio Santa Rosa, como Palmeiras, América e Atlético-PR. Foram 35 partidas neste período, seis vitórias, quinze derrotas e catorze empates. O Noia marcou 26 gols e sofreu 47, tendo como principais goleadores Romário, Éderson e Passos, todos com três gols. A primeira partida foi no dia 30 de setembro de 1979, pela então Taça de Prata (equivalente à Série B do Brasileiro), diante do Joinville, em Santa Catarina, partida em que acabou perdendo. O último jogo aconteceu em 1985, contra o Figueirense, em Santa Catarina, com vitória catarinense.

Já em 2004, o Anilado do Vale do Sinos voltou a disputar certames nacionais com a disputa da Série C do Campeonato Brasileiro. No ano seguinte, 2005, com a conquista da Copa Emídio Perondi, garantiu a disputa pelo segundo ano consecutivo na mesma competição do nacional e, em 2006 disputou a Copa do Brasil. A participação anilada na Série C do Brasileirão ficou marcada na história do futebol como uma das melhores campanhas de um time gaúcho no certame, no qual o Noia chegou ao quadrangular final, ou seja, entre os quatro melhores - disputou o título com o Remo América de Natal e Ipatinga.


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